"Em agosto de 1972, a Censura Federal impediu o casamento de Cristiano (Francisco Cuoco) e Fernanda (Dina Sfat). Ainda que Cristiano acreditasse estar viúvo de Simone, tida como morta em um desastre de carro (no que, inclusive, os demais personagens acreditavam), os obtusos censores consideraram a situação atentatória aos bons costumes da família brasileira, alegando que a personagem continuava viva e que, se Cristiano se casasse novamente, estaria incorrendo no crime de bigamia."
"A Censura Federal, à época, implicou com as palavras “coronel”, que vinha sendo usada para se referir ao prefeito Odorico Paraguaçu, e “capitão”, como era chamado Zeca Diabo. Os militares do Regime se sentiram atingidos, já que os apelidos eram usados para personagens “negativos”.
Em julho de 1973, a produção teve de apagar o áudio de dezenas de citações ao coronel em quinze capítulos já gravados. Também Zeca Diabo não poderia mais ser chamado de capitão. Palavras como “ódio” e “vingança” também foram vetadas."
O maior caso de censura nas novelas: "Roque Santeiro" - sua primeira versão foi inteira censurada!
"Gilberto Braga narrou em entrevista os problemas da novela com a censura do Regime Militar:
“Quando comecei a escrever Escrava Isaura, fui chamado a Brasília para conversar, porque eles achavam a novela perigosa. Então, na reunião com censores, ficou mais ou menos estabelecido que eu poderia escrever Escrava Isaura, mas que não poderia falar de escravo. Uma censora me disse que a escravatura tinha sido uma ‘mancha negra’ na História do Brasil e que não deveria ser lembrada – aliás, segundo ela, o ideal seria arrancar essa página dos livros didáticos; imagine então falar disso na novela das seis… Um censor falou que a novela podia despertar sentimentos racistas na netinha dele, porque ela via os brancos batendo nos escravos na televisão e podia querer bater nas coleguinhas pretas dela. Aí eu disse ao censor que ele devia ver um psicólogo para a menina porque, se ela se identificava assim com os bandidos… De qualquer maneira, eu prometi que ia falar o mínimo possível em escravo e falei o mínimo possível em escravo em Escrava Isaura.”"
"Cassiano Gabus Mendes travou uma batalha com a Censura Federal do Regime Militar, que começou já antes da estreia da novela: foi proibida a chamada que apresentava a personagem de Sandra Bréa: “Wanda é solteira e ama um homem casado”.
O autor foi obrigado a abolir do texto palavras como “motel”, gírias (“pombas” e “pacas”) e uma sequência em que Mário declamava para uma paquera a letra da música “Falando Sério”, de Roberto Carlos, por causa do trecho “e apenas ser mais um na sua cama”, por considerá-la ofensiva à moral – provavelmente no primeiro capitulo, já que nele, Mário declama outra música, em substituição: “Grito de Alerta”, de Gonzaguinha."
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